❝ Se a vida é tão simples, do que eu tenho medo? ❞
— Elena
posted 9 months ago



Escapando pela porta dos fundos

Eu tenho raiva. Tu pede desculpas. Eu fico triste. Tu pede desculpas. Eu me animo. Tu pede desculpas e me parte por dentro. Eu tento seguir em frente, fingir que não é comigo, mas tu continua por toda a parte. Me perseguindo para lembrar que estou escapando dos meus sentimentos. Escapando pela porta dos fundos, saindo pela tangente, enfiando a cara em traduções e mundo imaginários. Enfiando a cara na vida dos outros, que sempre pareceu tão mais interessante que a minha. Mas não adianta. Por mais que eu tente estar de bem com a decisão que tomei, lá vem a vida e me diz que, não, eu estou errada. Não é para eu ficar em paz. Tu pede desculpas novamente. Minha vida está um lixo, emocionalmente falando, e tu pede desculpas. Tu pede desculpas e me faz sentir nojo, raiva, ódio de pessoas que eu nem conheço, só porque elas te fazem mal. Tu me pede desculpas e eu amaldiçoo o cantor que tu acha bonito, porque, afinal, é com ele que quer casar e não comigo. A raiva, a frustração ficam marinando dentro de mim enquanto tu vai mexendo a colher de pau.

Eu peço desculpas. Fico culpada, me sinto cruel e peço desculpas. Finjo que está tudo bem, que continua tudo legal. Tudo joinha. Finjo que estou ocupada demais com a vida para pensar nos meus sentimentos. Por algum tempo, faz efeito. Depois tu some. E eu fico culpada, percebendo que nossa amizade não é a mesma. Desculpa, mas eu me apaixonei por ti e estraguei tudo. Desculpa, mas não estava previsto no roteiro. Amanhã vou reler esse texto e achar que estou exagerando, mas é na tristeza que os sentimentos se manifestam como são. Eu enxergo toda a minha vida como ela é realmente é quando estou triste. E eu enxergo nós de uma maneira infeliz, e não posso não me sentir culpada dessa infelicidade. Seria melhor ficar com as velhas, mas eu não quero. Elas não me conhecem. Elas não sabem do que eu gosto. Tu sabe do que eu gosto. Tu é meu reflexo no espelho e eu preciso olhar para ele para me sentir completa. Falta uma parte de mim.


Eu peço desculpas a mim, a ti e a quem estiver lendo esse texto, pois preciso me retirar antes que meu peito exploda.

posted 10 months ago



É preciso dar um jeito, meu amigo

Hoje percebi como estou quase (ou completamente?) surda do meu ouvido esquerdo. Só posso contar com meu ouvido direito, que faz minha ligação com o mundo real. Que é a minha ligação com os sons do mundo real. É só eu me virar para o lado esquerdo, quando vou dormir, por exemplo, para que o mundo real desapareça.Não ouço mais nada. Não ouço minha dinda me perguntando se está tudo bem. Não ouço meu gato miando, pedindo para entrar. Neste momento mágico e triste, eu estou sozinha com o som dos meus pensamentos, das minhas angústias. É o momento em que mergulho fundo nos meus sonhos, que misturam cenas do filme sobre o Truman Capote, a casa da minha dinda e o escuro do quarto onde estou. Eu deveria estar apavorada por estar surda, mas não estou. Minha surdez relativa corta meu elo com o mundo real, talvez por isso eu não esteja apavorada. Talvez seja meu desejo de habitar meus sonhos, onde a Linda Gray dança para mim e onde eu consigo me sentir bem comigo mesma, pelo menos até meu despertador tocar às 06:30.

Quando as pessoas falam comigo, escuto a metade da frase e tento reorganizar tudo isso na minha mente com o objetivo de dar um sentido a elas. Nem sempre dá certo. Meu ouvido direito, o elo com a realidade, faz isso por mim. Acho que estou cansando o pobre coitado. Por isso é sempre mais fácil dar o ouvido esquerdo, assim consigo consigo me desligar da realidade mais rápido. Talvez eu sempre tenha sido desligada assim por causa da surdez, é mais fácil você dar essa desculpa do que admitir que vive mesmo em outra dimensão. 

Tenho medo. Eu tenho medo do que a surdez vai fazer comigo. Quando penso que gostaria de trabalhar com legendagem e de que sou parcialmente surda, tenho vontade de chorar. Não é justo. Não é justo que eu, uma amante de cinema, tenha problemas de audição. É claro, poderia ser pior, eu poderia ter problemas nos olhos. Mas os ouvidos são tão importantes quanto os olhos. Como posso viver sem a certeza de daqui 30 anos eu não poderei ouvir a voz de uma Jeanne Moreau ou a voz das pessoas que amo? É como dar um tiro no escuro e ficar esperando se alguém vai morrer ou não. Só o tempo vai me dar a resposta. Eu gosto de transgredir regras e com a minha surdez não é diferente. Enquanto eu puder escutar a voz da Lana del Rey bem alto, eu o farei. Não sei até quando poderei fazer isso. Não sei. Sei que não poderei legendar com fones de ouvido, isso é, se eu quiser que minha audição dure ainda muitos anos. E isso dói. Dói não poder ouvir o mundo como ele realmente é.

Só sei que já grito sem me dar conta do quão alta a minha voz está. De que levo sustos repentinos à noite e de que sussurro coisas que eu mesma mal consigo ouvir. Meu corpo não se comunica direito entre si. Tenho medo de acordar completamente surda um dia desses. As pessoas me perguntam se eu estou de aparelho e eu gostaria de mandá-las à merda. À merda com o aparelho. Eu quero mais é romper o elo com a realidade. Mas o aparelho está ali para me lembrar de que eu preciso vir para realidade e largar a mão dos filmes antigos e dos livros policiais de mistério.

posted 11 months ago



Lorsque l’on tient dans nos mains cette richesse

Tudo junto e misturado. O tédio, a estreia de Dallas na segunda, o término de AHS semana passada, meu estômago que doi dia sim, dia não. Desde que minha mãe viajou, coloquei o pé duas vezes para fora de casa. Estou enlouquecendo de tanto ver filmes. Devo ter visto mais de 20 e meus olhos doem, doem muito. Já faxinei a casa em busca de distração. Agora sobrou os fones com as músicas do Charles Aznavour (matar as saudades é sempre bom), meu gato, minha fome e um grande vazio. Estou lendo um livro que não é ruim, mas também não é bom. Eu acho que minha rotina poderia ser resumida por essa frase: não está bom, mas também não está ruim. Está parado. Lembrei de uma música do Serge que dizia “Ni heureuse, ni malhareuse, imobille!”.

Acabei de ver um filme francês que acabou comigo. Aliás, uma ótima forma de voltar para o universo francês: sofrendo. Agora o Aznavour está acabando comigo e com minha audição. Mas edai, em um estágio onde as horas passam lentamente, morrer é um presente. Poderia falar do tal filme, mas não estou com vontade. Não tenho vontade de nada. Os dias estão passando lentamente, e a sensação de que está tudo errado persiste. Mas não consigo pensar em como reverter isso. Pressinto tudo murchando ao meu redor, inclusive eu mesma. As pessoas me perguntam como estou e quando digo que está tudo na mesma, ninguém acredita. Mas está. Tudo na mesma porcaria de sempre. Já pensei em como juntar aquele dinheiro para conhecer Dallas, já pensei em trancar a faculdade, trabalhar e juntar o dinheiro. Quero ir embora. Quero uma roupagem nova. Acho que a crise da faculdade chegou, tardiamente. Quer dizer, eu gosto de traduzir. Não errei nisso. O que eu errei foi não ter tido a coragem de fazer as coisas que gostaria de ter feito porque a faculdade me impedia. Agora eu quero ir para Dallas e não tenho um puto tostão. Gastei tudo que ganhei na bolsa. Na verdade, gostaria de passar um ano conhecendo os EUA. Mas você precisa suar, suar, trabalhar, trabalhar. Poderia ter trancado a faculdade e ter ido me aventurar por aí. Antes da vida adulta vir me atropelar e eu terminar como a Raquel, com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Ou melhor, com a boca cheia de rancores.

Tenho 200 reais, primeira quantia juntada para ir à Dallas. Quedelhe o resto? Ok, tenho o curso de legendagem em fevereiro. Estou apostando todas minhas fichas nisso. Se eu conseguir trabalhar com legendagem e ganhar um dinheiro, vai que dê para ir pros EUA. Talvez seja besteira eu achar que atravessar o oceano vai mudar alguma coisa. Talvez eu tenha que mudar um sentimento meu. O que está aqui dentro. O desejo de fazer coisas grandiosas deu espaço a uma vontade imensa de ser uma pessoa comum, trabalhando, juntando dinheiro. Saindo para ver os amigos de vez em quando. Isso me tranquiliza, de certa forma, pois a Letras jamais vai me dar uma bolsa para estudar fora. Pelo menos a essa altura do campeonato. I don’t give a shit. Não vou ficar magoada ou achando que minha orientadora não faz nada por mim. No fim das contas, aquela frase genial da sabedoria popular se revela uma verdade incontestável: só podemos contar com nós mesmos. Se tudo der errado, posso ir para um emprego comum. Por enquanto isso não é frustrante demais para não aguentar. Dane-se toda essa merda. DANE-SE. Se eu tivesse coragem suficiente, eu trancava. Mas sou cagona e vou terminar essa porcaria. (acabei de constatar que tenho sabonete nas unhas) Também falta muito pouco. Tá na hora de eu juntar esse dinheiro e viajar para fazer o que eu QUERO. Algumas pessoas se emocionam em Londres, bem, eu me emociono em Dallas. Eu quero poder sentar na grama de Southfork e contemplar meu sonho se realizando.

Preciso de um plano B.

posted 1 year ago



Eles foram embora.

A Raquel foi embora. E por alguns momentos, eu achei que nunca mais iria. Mas ela foi. Foi e eu não estou conseguindo lidar com isso direito. É bom quando você tem alguém para puxar infinitamente seu saco e dizer coisas que você precisa ouvir de outros para acreditar. Thiago e Raquel, dois atrasos na minha vida. Como eu odeio vocês. Porque é assim: vou colocar a culpa neles pelo meu estado e nunca em mim. Foram eles que me deixaram amargar assim. Foram eles que me fizeram desistir de mim mesma. Esses dias, peguei uma carta da Raquel para ler. Li tudo ouvindo um cd brega de música francesa. Triste.

Ontem ouvi “Let’s ust kiss and say goodbye” versão reggae no rádio. Quase chorei. FUCK THIS SHIT. Preciso tanto colocar isso para fora e não consigo. Eu não sei mais pelo o que estou triste. Ah sim, eu queria ter um relacionamento “J.R e Sue Ellen”. Por um tempo, cheguei tão, mas tão perto disso. Mas tudo que é sólido se desmancha no ar. Agora estou aqui agindo feito idiota, o ano vai virar mas edai, estão todos felizes. Raquel vai se casar, Thiago se formar e eu… eu nada. Eu só sinto vontade de estar sozinha, de ouvir um monte de músicas fossa. E de culpar todos pelo meu estado.

Parabéns, eu preciso de um psicólogo.

posted 1 year ago



A habilidade de subverter tudo

Sempre tive a impressão de que algum momento, eu estaria sentada assistindo minha vida passando por mim. Dando tchauzinho. Tchau, vida. Olá, computador, livros, filmes. Olá, mundo irreal. É o que estou fazendo agora. Foi o que fiz no ano que vai ir embora na madrugada de segunda para terça. Queria fazer uma retrospectiva do meu ano, mas não lembro de muitas coisas. Acho que foi tão ruim que preferi esquecer. Só consigo lembrar daquilo que comprei, ou seja, meu ano pode ser resumido pelos bens materiais que eu adquiri tentando compensar o buraco tamanho gigante em que me encontro. Agora, eu estou aqui sentada escrevendo, sozinha em casa. Todos saíram. Todos, menos o velho Har. Velho, velho, velho Har. Assistindo minha própria tristeza enclausurada e pensando que, no fim das contas, só terei a minha tristeza de companheira no ano novo.

Meus amigos me mandam mensagens dizendo que a vida deles se tornou um seriado tipo Dallas. Eu, aqui do meu lado, só penso que a minha não pode ser resumida por um seriado, eu acho. Bem, só se fosse um seriado muito tedioso. Mas fico feliz por eles, de verdade. Eu fico triste com o rumo que as coisas tomaram para mim. E com o drama que tudo se tornou. Porque tudo que ando pensando é um drama, mas tão poderoso que chego a achar que ficarei eternamente presa nele. Presa nessa casa, presa no ano de 2008, presa a milhões de coisas.

E essa sensação de estar vendo a banda passar e não querer fazer mais nada. Eu acho que a pior coisa é quando a gente desiste da vida.

posted 1 year ago



savanagem:

Reasons to sit and cry for all the eternity.

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Expecting Linda Gray

Como fã da Linda Gray, eu me sentia imensamente envergonhada por não ter visto nenhum filme com ela. No entanto, tenho desculpas: os filmes que ela fez são difíceis de encontrar, quase todos pertencem ao cinema B. E talvez eu nem precisasse aumentar a dose de Linda no sangue, já basta os 370 episódios de Dallas, as fotos, o novo quadro dela aqui no meu quarto. Mas a vida é uma caixinha de surpresas para Joseph Climber e um filme dela veio parar em minhas mãos por acaso, digamos.Minha dinda me contou que tinha assistido a um filme da Linda na televisão. Contou-me a sinopse, que eu achei pra lá de interessante, e nós fomos procurar no IMDB o nome para baixar. Expecting Mary é o nome do filme. 

Eu tento ser o tipo de fã que critica quando precisa e que elogia também. Não acho tudo que a Bette fez sensacional, por exemplo. No entanto, no caso da Linda, essa lógica é um pouco “invertida”. Na verdade, ela não existe. Se vocês me pedirem para criticar o filme, bem, não conseguirei fazê-lo, pois a única coisa que me prendeu durante uma hora e meia foi a Linda. E sobre isso que queria falar. Sobre a sensação de assistir seu idolo pela primeira vez fazendo um filme.

Percebo que os atores de televisão sofrem um certo preconceito por parte daqueles que gostam de cinema. Alguns pensam que por fazerem televisão não pode fazer cinema. Não sei se esse é o caso da Linda, mas confesso que eu mesma desconfiava do poder dela no cinema. Em Dallas, é muito fácil se destacar: ela é a melhor atriz das que são tidas como “principais”. Ela tem muito talento para fazer a Sue Ellen. Fiquei pensando se isso não seria um entrave, se para sempre iriam lembrar dela como a SE e deu. Um dia ela chegou a falar sobre isso. Disse que não se incomodava em ser lembrada por um papel que trouxe tantas coisas boas para sua vida. Eu fui assistir Expecting Mary pensando se ela conseguiria sair desse personagem. E a boa notícia é: ela conseguiu e muito bem.

Nesse filme, Linda é Darnella, uma espécie de cigana - que se veste com umas roupas muito malucas - que mora em um trailer. Ainda tento colocar em palavras a sensação de vê-la vestida completamente ridícula e dirigindo um carro antigo verde limão. Maravilhosa, apenas. Ao longo do filme, eu não sabia se estava me apaixonando pela Darnella ou pela Linda. Acho que pelas duas. Darnella tem algo que a aproxima da Linda, quer dizer, da impressão que eu tenho dela. Para mim, a Linda tem um grande instinto maternal, como se considerasse os fãs como filhos. Sempre querendo postar as últimas novidades e agradecendo-nos por sermos tão devotados. Quando Darnella “adotou” a menina grávida de oito meses, eu só conseguia pensar: porque não poderia ser eu? A relação de proximidade entre a menina e Darnella me faz pensar no quão jamais próxima eu serei da própria Linda. O quão esse amor idolo-fã é um dos poucos tipos de amor em que a gente dá e não recebe nada em troca. A impressão que tive do filme foi de que de repente eu poderia encontrá-la por aí, pedir abrigo e morar com ela.

O filme só intensificou pensamentos loucos do tipo “quando eu for para Dallas, vou stalkear essa mulher no matter what”. Tenho 21 anos e continuo arranjando tempo para ficar doente por pessoas que nunca me viram na vida. Me julguem.

posted 1 year ago



Judite, você faz meu tipo

Nesta semana saiu o segundo ou terceiro teaser de Dallas. Se o negócio já estava feio antes, agora com a morte do The King, a pressão dobrou. Os fãs estão enlouquecidos, xingando nas redes sociais e desejando a morte da roteirista da série. Mas nem tudo está tão ruim assim.

Nem tudo está as mil maravilhas também. A morte do Larry Hagman acabou afetando todo o andamento da temporada e eu me pergunto como eles irão terminar e como isso irá afetar a trama prevista pela Cidre. É claro que existe uma lacuna que jamais será preenchida, a série nunca mais será a mesma sem o J.R. No entanto, percebo uma tendência dos fãs de dramatizarem demais. Por isso, na óptica deles, tudo é ruim. A Cidre vai acabar com a série, meu Deus, a Cidre vai tirar o melhor de Dallas. Boas notícias, amigos: a Cidra não precisou fazer isso. O melhor da série, o J.R, já foi tirado de nós e a culpa não foi dela dessa vez. O que quero dizer com isso? Que a temporada de Dallas terá uma lacuna e não importa se a Cidre e sua turma fizerem seu melhor. É óbvio, o The King não está ali. Para os fãs que acompanharam as 14 primeiras temporadas sempre irá existir uma lacuna que não poderá ser preenchida. Não estou defendendo a Cidre, na verdade, eu poderia numerar todas as porcarias que ela fez na temporada passada. Contudo, creio que ela está se esforçando para melhorar a trama, apesar de cometer erros crassos. E isso merece um certo respeito.

O teaser. Então, sobre o teaser. Eu assisti a dois deles. Ambos sensacionais na minha opinião. O primeiro era uma música de jazz ao fundo enquanto um monte de pétroleo caía em cima de notas de dinheiro americanas. Algo como: Ewing’s my name; oil’s my game. Gostei porque consegue dar exatamente a atmosfera da série, essa briga de família pelo poder. O segundo teaser já é mais elaborado, digamos, por ter diálogos e todo o clima do que essa temporada promete. Comecemos falando sobre Judith Light, a atriz que irá interpretar a mãe do Harris. Primeiramente, Cidra tinha dito que ela faria a mãe da Ann. Por algum motivo obscuro, ela voltou atrás. Pode ter sido o fato de que Judith não pareça a mãe da Ann nem que a vaca tussa, já que elas têm uma diferença de apenas 10 anos de idade. Eu já tinha visto fotos da velha muito antes, ela gravou várias cenas na corte e com a neta, a Emma Bell. Achei muito bonita e com cara de “I wanna screw you, bitch”. Eis que no teaser, para minha surpresa, Judith aparece. Com uma única frase, ela conseguiu ganhar meu coração: You’re not my type. Claro que ela estava se referindo ao chato do Bobby. Percebo que o pessoal tem uma certa implicância com a Judith, pelo fato de Cidra encher a série de personagens novos e não trabalhar nos clássicos. No caso de Light, eu não acho que seja um problema. Ela atua bem, acho que foi uma boa escolha. A mãe do Harris não poderia ter vindo em hora melhor: no meio da campanha da Sue Ellen para governadora do Texas. Já dizia o mestre Ratinho: a cobra vai fumar.

As cenas em que J.R aparece são priceless, especialmente uma em que ele diz para John Ross: você tem muito o que aprender, garoto. Meu lado pessimista me invadiu neste momento. Como bem colocou uma amiga, a temporada tinha tudo para ser demais se o The King não tivesse falecido.

É claro que a Sue Ellen aparece uma única vez. Nisso, terei de concordar com os fãs radicalistas: que LIXO. A mulher está concorrendo ao governo do Texas e, em nenhum momento, isso é citado no teaser. A única aparição de SE consiste em dizer ao filho: That’s change everything. EDAÍ? Mais uma vez, Cidra não faz jus ao desconto que dei a ela no começo desse texto. E o que é a Elena na piscina, minha gente? Pedimos as cenas clássicas da piscina e Cidra nos deu o que? Elena sendo levantada pelo Chris E com um biquíni mixuruca. Fala sério, humilhando toda uma geração que passou assistindo SE circulando poderosamente de maiô na beira da piscina. Vergonha define.

Nós, fãs, às vezes, temos de ser um pouco mais compreensivos. Não estou dizendo que devemos aceitar os absurdos da Chá de Cidreira - outro apelidinho querido para Cidre-, mas não podemos deixar nossas opiniões pessoais influenciarem no nosso julgamento. Ontem vi a Ann ser destruída no Tumblr e colocada como uma personagem ruim e a atriz que a interpreta, Brenda Strong, também ter rechaçada. Tudo bem, você até pode não gostar dela (inclusive uma amiga minha não gosta muito), mas você não pode achar que ela está tomando espaço da Sue Ellen. Uma coisa não tem NADA a ver com a outra. A amizade entre Ann e Sue Ellen é um dos pontos, na minha opinião, mais fortes da série. Ann não está ali para “roubar” nada da SE, pelo contrário, ela está ali para preencher um lacuna. O que eu quero dizer? SE não tem ninguém, seus pais morreram e a irmã também, então a amizade da Ann é um suporte para ela, já que o filho não olha direito na cara dela e o ex marido é um crápula. Vocês estão esquecendo que a Susu iria para a cadeia pela TERCEIRA VEZ se não fosse a Ann?! Sou muito “team Ann”, acho a Brenda Strong uma atriz sensacional. Os fãs também estão reclamando do fato de que essa temporada será focada na família da Ann. Gente, não. A série é sobre os EWINGS e continuará sendo. O fato é que a família da Ann é peça chave para a série agora, ainda mais porque o Harris já quase ferrou com Sue Ellen e Bobby. Mas mais do que isso: o mistério sobre o filho da Ann está sem solução. Por mais ruim que Cidra seja, ela precisa resolver isso. A entrada da Judith Light e da Emma Bell é para isso. Eu sei que vocês querem SE e JR (eu também, eu também!), mas vamos valorizar os pontos altos da série. A Ann é um deles, quer vocês gostem ou não dela.

Por último, gostaria de salientar que eu mesma não acho que tudo dará certo. O Lar já faleceu, metade da chance de dar certo se foi. Eu acho é que os fãs estão muito mais radicais agora, com medo de que tomem o preciso Dallas de suas mãos e façam porcarias. A porcaria já foi feita, meus amigos. Agora vamos torcer para que melhore. E isso, eu acho possível. Cidra conseguiu me deixar realmente empolgada para a próxima temporada. Não vai ter o Larry, mas gente, a vida é cheia de merdas e essa é uma delas. Aceitem. Convivam com isso.

posted 1 year ago



Say you remember

O enterro procedeu sem maiores surpresas. Todos estavam lá, prestando condolências ao morto. Ao longe, uma mulher de preto observava a cerimônia de longe, com uma rosa amarela nas mãos. Ela vestia um chapéu preto com abas largas e um vestido. Toda de preto, estava como que uma estátua, parada ao longe, sem reação. Uma estátua de batom vermelho. Por trás dos óculos, as lágrimas grossas corriam e borravam a maquiagem. Não deveria ter posto maquiagem. Mas ele não gostaria de me ver assim, pensou Linda. De repente, as cores começaram a se metamorfosear e Linda foi levada para dentro dos seus pensamentos. Um filme, em que ela era a protagonista, começou a rodar em sua mente. Viu-se com o morto quando estava em um dos piores momentos de sua vida: o divórcio. Linda chorava, não conseguia mais parar, já tinha quebrado tudo dentro de sua casa. Larry, o morto, a puxou para si e a abraçou apertado. Ela continuava chorando e empapando sua camisa. Ela se soltou e, por um segundo, ficaram se encarando. Não trocaram palavra alguma, mas sabiam o que estava acontecendo. Alguém passou dos limites. Mas quem? Quem fez primeiro? Uma barreira havia sido transposta. O muro que os separava caiu e eles não sabiam se saíam correndo ou ignoravam. Linda decidiu ignorar o que aconteceu enquanto eles olhavam daquela maneira. Apenas limpou suas lágrimas e pediu que ele saísse. Ele saiu de sua casa, mas não de sua vida. Ele continuou rondando-a, como uma assombração. Linda sentia que estava prestes a se afogar e que quem puxava sua cabeça para dentro do oceano era ele. Então, isso é amar. É sentir o coração tão apertado que você aperta os lábios até machucar para conter o choro. Mas ele vem. E não parece parar nunca. Uma dor que não termina nunca. Isso é amar. Chegara o dia em que ela decidira se atirar no oceano por si mesma. Chamou-o em sua casa e colocou as cartas na mesa. Você quer passar a noite comigo? Achou que se agisse assim, poderia esconder seus verdadeiros sentimentos.

Lar foi embora e nunca mais voltou. Agora ela esperava ansiosamente pelo momento de encontrá-lo de novo. Sabia que ele estava vivo, sabia o que estava acontecendo na vida dele. Chorava oceanos nos finais de ano. Ele podia estar aqui. Nós poderíamos estar transando como na virada do meu aniversário. Não queria, mas depositava todas suas esperanças de felicidade nele. Não era para menos: ele a fizera tão feliz que ela teve a certeza de que nunca mais fora feliz daquela maneira com ninguém. A solidão parecia uma boa alternativa. Três anos se passaram e Lar voltou. Voltou e cuidadosamente levou Linda para dentro do oceano novamente. Dessa vez, segurou sua cabeça para que ela não conseguisse mais sair por si mesma. Saíram, beberam, relembraram os velhos tempos. Linda rendeu-se, levantou a bandeira branca e deixou que os velhos sentimentos invadissem o coração. Parecia ter levado uma injeção de adrenalina. Vivia ansiosa para encontrar com Lar. Agia levianamente para que ele não suspeitasse de seus sentimentos. Não adiantara nada. Linda perdeu a chance de ir para a cama com Lar por uma última vez, antes de ele ir embora novamente. Um dia, ele sumiu de novo. Em princípio, Linda achou que era culpa do tempo. Grande merda. Não era. Ele não a queria mais. Fizera questãod e afogá-la e partir em seu majestoso navio chamado “Ego”. Porém, não importava qual fosse a razão, Linda achava que ele voltaria. E lhe perdoaria. De repente, toda a baboseira dos filmes, fazia um sentido absurdo. Ela não suportava conviver com aquela dor. Bebeu mais do que nunca, fumou, engordou, perdeu a auto estima. Está ficando surda a cada dia que se passa e não liga, pois o que mais queria na vida, ela perdeu.

Decidira cavar uma cova para enterrar Lar. Revolveu a terra com os dedos, manchou-a com suas lágrimas. Quando a cova parecia o suficientemente funda, ela atirou todas suas lembranças ali. Tapou com a terra fofa e esperou nascer algum ser vivo dali. Mas não. Sua terra continua seca, dura. Todos os anos, Linda vai visitar a cova dos seus sentimentos. Voltava lá e a cova estava revolvida. Os sentimentos voltavam para lhe assombrar. Neste ano, ela estava face a face com sua cova e sabia: não tinha mais cura. Então, disse para si mesma, isso é amar.

posted 1 year ago